Um instrutor de kendo da JICA voltou ao Japão no mês passado. Ele se dedicou intensamente ao desenvolvimento e à difusão do kendo no Brasil. Quando conversei com um amigo sobre o professor, ele o chamou de ‘JAICO’. Achei estranho e perguntei por que ele usou esse nome. Ele respondeu: ‘Ele é homem.’ ‘JICO’ seria uma brincadeira com ‘homem da JICA’. Achei engraçado, porque ‘-ko’ (子) é normalmente usado para indicar nomes femininos, como ‘Hanako’ (花子), ‘Ayako’ (綾子) e ‘Yukiko’ (由紀子).
Imagino que a distinção de gênero dos substantivos seja uma das dificuldades da língua portuguesa para os japoneses, pois essa diferenciação não existe no japonês. Como não há uma correspondência direta entre os sistemas de gênero dos substantivos em japonês e português, os japoneses precisam entender a teoria e se acostumar com o uso adequado das palavras. A regra parece simples: substantivos terminados em ‘-o’ são geralmente masculinos, e os terminados em ‘-a’ são femininos. No entanto, nem todas as palavras seguem essa estrutura, e há várias exceções. A memorização faz parte do aprendizado de um idioma, mas o problema surge quando tentamos aplicar essa regra a palavras estrangeiras.
Durante os treinos de kendo, muitas vezes preciso explicar certos termos aos alunos. Há muitas palavras específicas no kendo cujas traduções não são facilmente encontradas em português. Por exemplo, devemos dizer ‘um shinai’ (espada de bambu) ou ‘uma shinai’? Quando perguntei isso a uma aluna, ela escolheu ‘uma shinai’, justificando que é uma espada de bambu. No entanto, ela disse ‘um bokutou’ (espada de madeira) por instinto. Ao ouvir isso, pensei: ‘Acho que ainda levará muito tempo até eu entender completamente o português.

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