Ontem realizamos treinos de luta (試合, “shiai”) entre os membros do clube, e atuei como árbitro. Os participantes pareciam nervosos, pois ainda não têm experiência em campeonatos de kendô. Para os calouros, é muito difícil demonstrar todo o potencial adquirido através do treino diário.
É claro que é necessário acertar uma parte desprotegida do corpo para pontuar — não adianta golpear uma área coberta pela proteção do adversário. Observar os movimentos do oponente é considerado essencial durante uma luta. Dei essa dica aos participantes, apesar de saber que é difícil colocá-la em prática sob pressão e com o medo de ser atingido.
Um atleta profissional de Street Fighter (um dos videogames de luta mais famosos), Tokido, disse que se dedicou a observar e analisar o pensamento do oponente para controlar seus movimentos. Depois de ouvir essa fala, tenho tentado observar e analisar mais os parceiros de treino, com o objetivo de dominá-los durante a luta. No entanto, ainda não entendo bem como fazer isso.
Acredito que a observação é fundamental em qualquer área, não apenas nas artes marciais. Ontem, conversei com um aluno de japonês que ensinei no ano passado. Ele é estudioso e obteve boas notas. No entanto, disse que está repetindo o mesmo módulo do ano anterior. A escola unificou a turma dele com outra e o colocou para estudar o conteúdo antigo novamente. Segundo o aluno, a escola não deu uma justificativa razoável nem permitiu que ele pausasse os estudos para recomeçar no próximo semestre.
Como haverá um festival cultural na escola em maio, os alunos cantarão músicas japonesas em coro durante o evento. Acho positivo esse contato com a cultura japonesa. No entanto, o responsável pelo coro escolheu três músicas com gramática de nível N1 para alunos que acabaram de aprender hiragana. Com certeza, eles não conseguirão entender o significado das músicas.
Falei ao responsável que seria necessário, ao menos, preparar uma tradução. Ele recusou minha sugestão, dizendo que os alunos devem estudar sozinhos com o uso do Google e que eu não deveria subestimar a capacidade deles. Acredito que esse pensamento é absurdo — um aluno tão autodidata não procuraria uma escola para aprender hiragana. Esse responsável tomou a decisão sem observar os alunos, apenas seguindo a tradição da escola sem refletir sobre ela.
Antigamente, havia poucas alternativas para brasileiros estudarem japonês em Belém. No entanto, hoje é muito fácil encontrar professores online. Se a escola continuar com essa postura grosseira, sem observar nem considerar os alunos, continuará a perdê-los.
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