Assisti ao anime Diários de uma Apotecária (薬屋のひとりごと). Ele tem como origem um romance publicado no site Vamos nos tornar escritores (小説家になろう). De acordo com as notícias, a obra será adaptada para o cinema. Como já vi a filha de um amigo brasileiro assistindo ao anime, pensei que o drama poderia ser interessante. De fato, seu enredo é bem estruturado, pois as pistas dos mistérios de cada episódio estão conectadas ao desfecho. Por outro lado, a qualidade do desenho e as expressões dos personagens são comuns; não há nada que se destaque visualmente. Além disso, acho alguns monólogos da protagonista estranhos, pois possuem entonação excessivamente explicativa. A personagem principal é uma apotecária que serve a uma concubina em uma corte de um universo fictício inspirado na China. Recomendo o anime para quem se interessa por esse tipo de ambientação.
A propósito, apesar de China e Japão possuírem histórias monárquicas, existe uma diferença interessante entre seus sistemas. Na China, existiam eunucos que serviam à família imperial. Os servidores que trabalhavam diretamente com a vida privada do imperador eram obrigados a perder suas funções reprodutivas. Alguns deles conseguiram ascender a cargos políticos e militares, desempenhando papéis importantes na história chinesa. No anime Diários de uma Apotecária, alguns personagens são eunucos.
Entretanto, apesar de ter importado diversas práticas chinesas, o Japão não adotou o sistema de eunucos. Não faço ideia do motivo. No Japão, em vez de eunucos, mulheres eruditas serviam na corte, cuidando da família imperial. Entre essas mulheres destacam-se Sei Shōnagon (清少納言) e Murasaki Shikibu (紫式部), que contribuíram significativamente para o desenvolvimento da literatura japonesa.
Deixe um comentário