Fiz um material sobre a expressão honorífica utilizada para se referir à ação de uma pessoa hierarquicamente superior (sonkeigo).
Observa-se que, no caso dos verbos do tipo ru, chamados de “Grupo 2” em algumas apostilas, a forma empregada para expressar respeito coincide com a forma potencial e com o ukemi.
Por exemplo:
“社長が食べられる” pode ser interpretado gramaticalmente de três maneiras:
- O diretor da empresa come algo.
- O diretor da empresa consegue comer algo.
- O diretor da empresa é comido.
Por que isso acontece?
A resposta é simples: as formas de respeito, potencial e ukemi têm a mesma origem. No japonês antigo, as flexões ru e raru podiam indicar esses três sentidos.
É provável que algumas pessoas considerem isso difícil de compreender. Entretanto, há um conceito gramatical que pode auxiliar na compreensão: a voz média.
O grego antigo possui voz média, que não existe em inglês nem em português. Enquanto a voz ativa expressa uma ação realizada pelo sujeito e a voz passiva indica uma ação sofrida pelo sujeito, a voz média expressa uma ação que parte do sujeito e recai sobre ele mesmo.
Simplificando, pode-se entendê-la como um tipo de reflexividade gramatical.
O sonkeigo, a forma potencial e o ukemi podem ser interpretados da seguinte maneira:
- O sentimento de respeito surge no próprio sujeito.
- A capacidade surge no próprio sujeito.
- O sentimento de incômodo surge no próprio sujeito.
Em japonês, o ukemi não é meramente equivalente à voz passiva, sendo frequentemente utilizado para expressar o sentimento de incômodo do locutor, como em “あめにふられた”.
Em conclusão, é possível considerar que as flexões ru e raru expressam, de algum modo, o surgimento interno de um estado ou sentimento. Embora não haja comprovação científica definitiva, é interessante formular hipóteses sobre a língua japonesa.
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